A origem da SAPE: os réis da moda nos Grandes Lagos

A origem da SAPE: os réis da moda nos Grandes Lagos

A SAPE, “Société des Ambianceurs e Personnes Elegantes”, seja “a Sociedade dos Formadores de Opinião e Pessoas Elegantes”, tem uma origem não bem definida. A Sape inspira-se de diferentes movimentos do dandismo da aristocracia britânica, da nobreza japonesa e da alta costura francesa.

Um dândi define-se como um homem que presta muita atenção na sua aparência e nas suas maneiras. O genial poeta Charles Baudelaire, famoso dândi do décimo nano século, considera o dandismo como uma forma de tornar a estética numa religião. Um dândi procura a admiração pelo seu estilo e as suas maneiras impecáveis.

JULIUS SOUBISEJulius Soubise.

O dandismo chegou a cultura africana através do colonialismo e do negócio dos escravos enquanto os mestres queriam mostrar o seu prestígio e começaram a vestir os seus escravos no estilo do dandismo. Mais tarde, quando os escravos ganharam mais liberdade, começaram a apropriar-se do seu estilo e desenvolve um único: negros em fatos do dandismo tornaram-se em dândis negros. Alguns “sapeurs” como são conhecidos reivindicam pertencer a este movimento do dandismo negro surgido nesta época.

SAPEURPREMIER

Congolês nos anos 1920- G.A Matsoua

Relativo a própria SAPE, o primeiro grande “sapeur” foi G.A Matsoua, foi o primeiro congolês que voltou da França em 1922 completamente vestido com roupas francesas. Os congoleses, regressados dos combates ao serviço dos exércitos belga e francês, trajavam fatos muito elegantes para mostrar a sua superioridade, num estilo copiado aos colonos. Outros historiadores acham que a SAPE ou o gosto do dandismo apareceu quando os colonos chegaram ao Congo e levaram roupas usadas da Europa para vestir os locais que na época andavam quase nus.

Embora a origem da SAPE não seja muito clara e que haja uma controvérsia e altercações entre os “sapeurs” do Congo Brazzaville e os do Congo Kinshasa, o movimento foi realmente promovido pelo musico congolês Papa Wemba nos anos 60 e 70, que introduziu a cultura dos “sapeurs” com normas e princípios morais e sublinhou a importância da higiene pessoal, e de se estar bem vestido na sociedade onde há classes diferentes.

PAPAWEMBA

Papa Wemba

Houve um propósito politico por detrás: depois da independência do Congo em 1974, o governo proibiu o uso da roupa do estilo ocidental para promover um estilo mais africano. Papa Wemba desafiou o governo de Mobutu e a sua politica de “autenticidade”, vestido com roupas da Europa e proclamando este estilo feito de dandismo para mostrar que não era crime vestir-se assim, mas um prazer e também para tornar-se num exemplo para os jovens congoleses.

Qualquer que seja a sua origem, a SAPE é considerada como uma subcultura com as suas próprias normas e valores. Outros vêem-na como uma religião ou uma ideologia. Segundo Bem Mushaka, um dos maiores “sapeurs”, a SAPE é “uma ciência, uma arte e uma ideologia.”

A sape pode definir-se como uma arte porque resulta de uma forma de expressão. A sua origem mantem se duvidosa e divide opiniões mas os «sapeurs» actuam nos dois lados do rio Congo ou seja em Brazzaville ou em Kinshasa. É quase certo que este interesse pela elegância foi trazido da era colonial e que os sapeurs apropriaram-se dos fatos e do estilo dos colonos e reinterpretaram-nos segundo a sua cultura, influências sociais e suas cores de eleição.

SAPEUR

Sapeur

Seja uma forma de contestação através da expressão do corpo, da roupa e da atitude que segundo o escritor congolês Alain Mabanckou explica a importância da SAPE no Congo:

«Porque nos fomos recusados o poder económico e político, vamos recuperá-lo através do poder da exibição do corpo. O corpo torna-se no elemento fundamental para opor uma resistência em frente ao poder político, que não pode tomar em mãos o destino dos jovens.»

Por:Anne-Laure Josserand