Moda e poluição

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A indústria da moda ocupa o segundo lugar no ranking das indústrias mais poluentes apontam vários estudos levados a cabo por diversas organizações ambientalistas como a Greenpeace, o Fundo Mundial para a natureza WWF bem como a consultora McKinsey.

Segundo estas organizações, a indústria da moda é também grande consumidora de água, a segunda maior no mundo, a moda impacta o perfil global da água porque usa pesticidas para as culturas de fibras como o algodão – 24% de todos os insecticidas e 11% de todo os pesticidas-, e descarga muitas substancias químicas e nocivas provenientes de tingimento e hábitos de lavandaria em casa, nos rios, com óbvios impactos no solo e na água, estragando a vida aquática.

De igual modo, o poliéster, a fibra sintética mais usada na indústria da moda, gasta 70 milhões de barris de petróleo para ser produzido e demora cerca de 200 anos para se decompor. A viscose também, outro tecido sintético, precisa de 70 milhões de árvores anualmente para a sua produção.

 Mesmo o algodão, apesar ser uma fibra completamente natural, necessita de muita água para desenvolver-se, especialmente quando cultivado fora do seu ambiente natural.

 Segundo várias pesquisas de Greenpeace ou McKinsey & Co., a indústria da moda que se  debate com um novo fenómeno, a explosão da moda rápida ou de momento vai agravar ainda mais o seu impacto negativo sobre o meio ambiente.

 O desafio da produção.

 A maioria da produção de roupas é feita nos países asiáticos onde o fabrico dos produtos de moda têm um custo ambiental e social muito alto. Infelizmente muitas das grandes marcas de moda não estavam cientes do impacto negativo da sua própria produção sobre o meio ambiente.

Em Julho de 2011, a Greenpeace lançou uma campanha denominada DETOX para alertar primeiro as grandes marcas desportivas como a Adidas e Nike da presença de elementos químicos nas roupas desportivas e para consciencializar estas empresas para a sua responsabilidade no impacto catastrófico no ambiente ecológico mundial. Assim, a Greenpeace desafiou estas grandes marcas em acabar com a sua produção nas fabricas poluentes da Ásia.

A Greenpeace não terminou com a sua acção e seguiu para a etapa seguinte. Desafiou as grandes marcas de moda, particularmente as de moda rápida. Divulgou resultados de diferentes relatórios tratando dos efeitos das cadeias de abastecimento de água, libertando substancias químicas responsáveis por muitas doenças e cancros nestas regiões produtoras asiáticas.

A indústria têxtil é uma das principais fontes de poluição da água em países como a China e México revelam as organizações ambientalistas. Além disso, as substancias químicas ficam na roupa que é importadas da Asia para todo o mundo o que faz do consumidor cúmplice involuntário da indústria da moda: cada vez que o consumidor lava as suas pecas de roupa em casa, deixa escapar substancias químicas como o nonylphenol, que se acumula-se nos sedimentos e que por fim infiltram-se nos lençóis de água. Assim, a poluição das águas torna-se um fenômeno mundial.

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Moda rápida e desenvolvimento da poluição

O princípio da moda rápida é sempre mudar as tendências e seduzir a cada instante os consumidores com novidades e com preços cada vez mais ou menos baratos. O consumidor tende a comprar o que não precisa para satisfazer necessidades imaginarias. É o princípio de um mercado de efemeridade.

Por outro lado, a moda rápida sugere que a produção em alta escala seja feita de forma rápida e mais barata para vender mais e incitar ao maior consumo. Contudo, comprar várias peças baratas e achar nisso uma vantagem pode ser um engano. Este comportamento encoraja a continua ocorrência de práticas irresponsáveis no domínio social e ambiental.

Primeiro, a cultura de moda descartável com volumes de vestuários cada vez maiores e com preços cada vez mais baratos cresce a uma velocidade alarmante. Isso encoraja o consumidor a comprar mais moda e mais vezes e, infelizmente, a usar os seus artigos de vestuário menos vezes do que costumava fazê- lo no passado. A moda rápida cria um ecossistema que cada vez mais determina a escassez de recursos naturais e altera o ambiente mundial (alterações climáticas, águas poluídas, …).

Segundo a McKinsey, a produção mundial de vestuário duplicou entre 2000 e 2014. O “boom” de moda rápida tende a continuar devido a crescente classe média nas populações dos países em vias de desenvolvimento que gosta de gastar em roupas o que traduz-se também numa explosão “boom” no desenvolvimento da poluição a nível mundial.

Marcas de moda e consumidores: os novos desafios

 Desenvolver esta quantidade de roupa requer terra, água e energia e o impacto não acaba com a produção. Esses elementos são usados cada vez que um artigo de vestuário é lavado.

Para compensar os efeitos negativos da indústria da moda e especialmente da moda rápida, a McKinsey sugeriu uma acção concertada de toda a indústria o que significa desenvolver novas práticas de reciclagem, padrões laborais e ambientais mais criteriosos, o desenvolvimento de novas fibras amigas do ambiente. Assim H&M assim como a Zara, marcas bem conhecidas já começaram a controlar as suas cadeias de produção e estão a investir em programas para reduzir o seu impacto ambiental. O objectivo destas é de desenvolver iniciativas e acções para compensar os danos causados ao ambiente e produzir assim a chamada “roupa limpa”.

Os consumidores têm também o poder de incitar as marcas a limpar a sua produção e de conservar o ambiente natural e saudável.

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O consumidor ainda tem dificuldades para perceber qual é a composição química das roupas que compra porque ainda não aparecem escritas nas etiquetas. Ainda é difícil saber se um artigo de moda tem uma origem totalmente ética ou não por causa da falta de transparência das marcas de moda. Uma moda mais étical começa a surgir, respeitando os aspectos da produção, ambiental e social porque surge ao mesmo tempo que uma nova consciência da parte do consumidor. Quem gosta de comprar artigos de moda baratos mas também degradante?

É importante mudar a mentalidade dos consumidores, para perceberem que “menos é mais”. Comprar o menos possível, reciclar, trocar, comprar na calamidade. Comprar menos peças de roupa talvez mais caras, mas ainda mais duráveis para acabar a comprar etical.

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 A consciência da moda nesse assunto está a desenvolver-se mas é a responsabilidade de todos perceberem os desafios para proteger o ambiente em que vivemos, a nossa saúde, desde quem produz até quem consome. Desse modo, consegue-se sensibilizar todas as partes interessadas e prevenir, de forma eficaz, quaisquer danos que possam ser provocados ao ambiente.

Por: Anne-Laure Josserand