O jeans: de companheiro de mineiro à artigo de moda

CAPA

Quando a moda faz revolução é sempre para libertar o corpo: Paul Poiret e Madeleine Vionnet acabaram com a cinta rígida em 1906 para ajudar a emancipação do corpo da mulher.

Mas a maior revolução de roupa foi o Jeans. O que faz desta roupa simples, casual, unisex, usada por milhões de pessoas no mundo e todo os dias, uma peça tão especial, um símbolo?

Feito originalmente para durar, o jeans suporta até hoje um interminável envelhecimento. Já não pertence a esta classe de roupas que vivem e morrem na evolução ciclisma da moda. É verdade que a vida duma roupa depende do seu desgaste e do cansaço do seu dono mas depende também “duma metafísica da roupa, caprichosa e toda social: a moda”, segundo Daniel Friedmann na História do Blue Jeans.

O jeans foi moda, resistiu à erosão própria à moda, pareceu ter morrido e continua aí, safando-se da fatalidade da moda e tocando todas as zonas geográficas, os regimes políticos, as classes sócias, os sexos, as idades e religiões. Esta roupa sempre teve o poder magico de passar uma mensagem muito poderosa de igualdade.

O jeans tornou-se um objecto de moda, intemporal. No início foi uma roupa de trabalho mas tornou-se rapidamente num símbolo para os jovens apaixonados pela liberdade e assim mesmo, o jeans tem uma história extraordinária, ligada a diferentes movimentos culturais e históricos.

A lenda do Jeans

Mesmo que o “Denim” muito conhecido por “tecido de Nimes” começasse em França no longínquo ano de 1792, o jeans nasceu realmente no grande Oeste americano em 1853. Levi Strauss, um vendedor ambulante na Califórnia, encontrou um mineiro com bolsos cheios de ouro, que queria saber o que o comerciante tinha a vender. O mineiro precisava de um artigo muito especial. Mas Levi Strauss só tinha telas para cobrir as carroças. Efectivamente, o mineiro queixou-se da qualidade da suas calças e assim, o vendedor ambulante teve a brilhante ideia de fazer algumas calças com a tela das carroças para atender o desejo do mineiro que queria roupas resistentes do trabalho que exercia. O mineiro foi festejando nos bares, embriagado e entusiasmo pela sua nova peça de roupa, afirmou a quem queria ouvir que tinha calças resistentes e indesgastáveis.

Nem se sabe se este facto da história é verdadeiro ou não, mas assim nasceu a lenda dum objecto que nunca saiu dos guarda-roupas.

jeans mineiros

O jeans de artigo do trabalho à símbolo de contra‐cultura

O jeans foi a base de alguns mitos da cultura moderna

Na altura da corrida ao ouro cerca dos anos 1850, o jeans nasceu com Levi Strauss mas a história não se ficou por ai.  Surgiu uma outra lenda. O uso dos rebites de cobre nos bolsos também foi resultado de um acaso. O costureiro Jacob Davis, fabricava mantas para cavalos e tendas para barracas. Nesta época de corrida ao ouro, de trabalho ferroviário, os trabalhadores queixavam-se sempre que os bolsos de seus macacões não resistiam ao peso das coisas que carregavam.

Com a sua experiência com os cavalos, Jacob Davis teve a ideia de usar o mesmo rebite de cobre que usava para as mantas dos cavalos para prender os bolsos dos trabalhadores. O sucesso foi imenso porque os bolsos estavam realmente mais resistentes.

Com medo dos imitadores, decidiu de juntar-se com a Levi Strauss para patentear a invenção

O tecido usado era pouco flexível então  Levi Strauss resolveu procurar um tecido resistente, durável, flexível e confortável. Encontrou na Europa o famosotecido de Nimes”, feito de algodão sarjado. Surgiu então o jeans que ainda fica em todos guarda-roupas e o conhecido Levis 501.

Jeans tornou-se igualmente uma forma de expressão. Esta’ intimamente ligado á contra‐cultura. A contra-cultura que só apoia a desordem, a paixão e personalidades fora da sociedade porque não tem de se integrar naquela e a aceitar o seu funcionamento errado. Foi adoptado pelos rebeldes sem causa dos anos 50. No cinema, o jeans imortalizou-se com as personagens rebeldes de Marlon Brando e James Dean, sempre associados ao movimento de insurreição e a liberdade total. Desde a morte do James Dean, durante quase 20 anos, o jeans tornou-se o porta-voz dos jovens e da contestação.

REBELDES

 Foi adoptado pelos beatniks, os estudantes brancos e negros que juntos marcharam contra a segregação racial, os hippies que reclamaram o amor livre e a paz e pelos estudantes que marcharam e manifestaram-se contra a guerra no Vietname, que organizaram os movimentos de contestação que sacudiam as universidades nos anos 60. E depois foi adoptado pelo movimento grunge do músico Kurt Cobain, foi lacerado, maltratado para mostrar um estado de mal-estar desta juventude.

GRUNGEFINAL

As calças que tinham tido tanto sucesso com os mineiros americanos, tornaram-se num tipo de moda que, contrariamente ao habitual, tinha nascido do povo até chegar aos estilistas e não criada pelos estilistas para o povo.

O jeans é cultura

Já nos anos 70 a peça de denim foi recuperado pela moda e os estilistas. O Calvin Klein inovou e foi o primeiro a introduzir o jeans nas passarelas, lançando uma moda ainda hoje actual. O jeans, uma peça intemporal, apropriado pela moda, de toda a moda, do estilo de base ate’ o estilo luxuoso.

JEANS MODA

Uma peça de todos os dias, que resiste ao mau-tratamento quotidiano, que vai ao trabalho com blazer e saltos altos, que vai com o seu dono aproveitar tempos livres. É assim que fica o lado magico dos jeans: ter a capacidade de adaptar-se as todas as situações. Acabou o tempo em que o jeans era só uma peça de roupa de trabalho para os mineiros e os cowboys do grande Oeste americano. Tornou-se numa arma de sedução massiva. Todos o amam, todos o guardam, todos o desejam, todos dele se apropriam. Uma roupa que faz parte integral da nossa vida, da nossa rotina.

Perfeitamente casual, a sua faculdade de adaptação as diferentes culturas e estilos conseguiu convencer ícones de estilo como Marylin Monroe, Jackie Kennedy, ou agora cantoras muito famosas como Beyonce, Rihanna ou Solange Knowles, ícone supreme.

JEANSTRENDY

De um tecido rústico para cobrir carroças na corrida ao ouro, nasceu a roupa mais universal já inventada pelo homem. Adoptadas pela juventude, as calças jeans tornaram-se símbolo de uma nova maneira de viver que ainda persiste. O jeans é o nosso melhor amigo.

Por: Anne‐Laure Josserand