Tchalata: visão estética e responsável da beleza da natureza.

Tchalata: visão estética e responsável da beleza da natureza

A paixão de Tchalata é a prática de arte e de cultura. Nasceu no mundo da arte, o seu pai é pintor, e cresceu numa pequena oficina. Começou a pintar com o seu Pai e Mestre (Leonardo Banze) desde a infância.

TCHALATA

Fotografia E. Josine

Formou- se em psicologia infantil na Universidade Pedagógica-UP e depois, graduou-se na Escola Nacional de Arte Visuais em Gráficas. Frequentou o curso de formação na escola Portuguesa “Crianças no Jardim de Infância e Educação Visual e Ofícios” e formou-se em Arte decorativa na “Galeria Extravagância” actual galeria Alternativo.

Para além da criação artística que desenvolve no seu atelier, na Catembe, do outro lado da baía de Maputo, Tchalata dedica-se ao ensino, sendo professor de educação visual, ofícios e iniciação artística em alguns estabelecimentos de ensino privados da capital moçambicana, Maputo, promovendo workshops.

A sua residência na Catembe está sempre aberta aos Sábados e Domingos, um apelo, um convite as crianças desfavorecidas para que possam entrar e começar a desenhar, o que despertou em Tchalata o interesse pelos direitos das crianças através da expressão visual com recurso ao uso dos recursos locais como a capulana, tecido africano por excelência.

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Esta na Moda Mista sobre papel reciclado- 2017

Ao ver turistas e visitantes deitarem plástico e garrafas de água nas praias e na natureza de Catembe deixou o artista Tchalata revoltado.  Com os amigos, vizinhos, família e as crianças começaram a recolher os resíduos e a dividir as tarefas: um grupo para recolher as tampas das garrafas, outro as garrafas, outro ainda os plásticos… Uma forma de reciclagem ao serviço da sua arte e uma maneira também de apontar os problemas ligados a irresponsabilidade dos turistas na preservação do meio-ambiente.

Desta maneira, pretende educar as crianças, as pessoas e responsabiliza-las no respeito a natureza e a sua beleza, na necessidade de limpar o ambiente. Estas crianças que não têm recursos materiais para pintar ou desenhar, aprendem a usar os recursos locais através da reciclagem para expressar a sua própria linguagem visual.

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Esta na moda-2017

”Neste processo de reciclagem, da limpeza do oceano na Catembe, as crianças separam o lixo por categorias, depois começamos a pensar como podemos reutiliza-los e cada criança vai escolher um grupo que usa resíduos e assim fazemos projectos, por exemplo, um projecto de castelo com garrafas plásticas.(…). Na base disso, já começam a fazer o processo de composição.”

Afinal deste processo de criação a partir de reciclagem, o artista organiza uma exposição onde são convidados os pais para abrir o dialogo entre os pais e os filhos sobre as criações e sobre arte e reciclagem, o debate sobre este trabalho permite educar as pessoas que vivem com estas crianças.

Tchalata oferece uma arte engajada e, a partir de retalhos de capulana e de resíduos sólidos encontrados na natureza, desenvolve uma estética africana muito poética e sensível.

Porː Anne-Laure Josserand

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