As maiores pandemias do século XX

Gripe é uma infecção respiratória que pode levar à pneumonia e, portanto, a óbito se não tratada. Também chamada de influenza e muitas vezes confundida com resfriado, os principais sintomas da gripe são febre alta (acima de 38ºC), dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça e tosse seca.

A gripe – que mata por ano entre 250 mil e 500 mil pessoas – foi pela primeira vez descrita por Hipócrates, 412 anos a.C. Mas a sua natureza viral só foi demonstrada por investigadores ingleses em 1933. De acordo com o Plano Português de Contingência Nacional para a Pandemia de Gripe, de 2006, “a infecção é causada pelo vírus influenza, que tem quatro tipos antigénicos: influenza A, B ou C e togothavirus, ou género D. Só o tipo A tem subdivisões, contando com 16 variações da proteína HA (de H1 a H16) e com nove variações da proteína NA (de N1 a N9). As diferentes combinações possíveis dificultam o trabalho dos especialistas. Ainda segundo o plano elaborado pela Direcção–Geral da Saúde, ocorre uma média de três pandemias por século, e com intervalos de dez a 60 anos.

1918: Gripe espanhola – Entre 20 e 40 milhões de mortosTambém conhecida como “gripe pneumónica”, foi identificada durante a I Guerra Mundial, em Março de 1918, em tropas dos EUA, mas só em Outubro se tornou numa pandemia mundial. Apesar de muito mortal, extinguiu-
-se em 18 meses e matou entre 20 e 40 milhões de pessoas, mas há estatísticas que falam em números mais elevados. O vírus desta gripe, o H1N1, tal como o da gripe mexicana, foi identificado recentemente por cientistas através de análises a cadáveres preservados. O facto de ser também conhecida por gripe espanhola está relacionado com a elevada incidência em Espanha e com o facto de ter sido aí que foi divulgada primeiro.

1957: Gripe asiática – Mais de um milhão de mortosA segunda grande pandemia, que também chegou aos humanos depois de um vírus do porco ter sofrido mutações, foi identificada em Fevereiro de 1957, na China, e espalhou-se, quatro meses depois, para os EUA. As melhores condições higiénicas permitiram que o subtipo H2N2 não fosse tão letal como a espanhola.

1968: Gripe de Hong Kong – 700 mil a um milhão de mortos Prolongou-se até 1969/70. O H3N2 foi o vírus menos mortal. Esta estirpe ainda existe, mas tem tratamento. A reduzida taxa de mortalidade foi atribuída a dois factores: em primeiro lugar, as estirpes das gripes de Hong Kong e asiática tinham semelhanças genéticas pelo que a população poderá ter desenvolvido alguma imunidade. Em segundo, pensa-se que uma estirpe de gripe semelhante poderá ter circulado entre os finais do século XIX e os primeiros anos do século XX, existindo ainda algumas pessoas com mais de 60 anos com imunidade residual. R.B.S.

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