Alto índice de analfabetismo no país cria campo fértil para propagação fácil de notícias falsas

A elevada taxa de analfabetismo em Moçambique é um dos factores que propicia a desinformação e as ‘fake news’, considerou quarta-feira, Ernesto Nhanale, director-executivo do Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA).

O analfabetismo atinge pouco menos de metade dos 28 milhões de habitantes e esse é um dos fatores que contribuiu para o que Nhanale classificou como “uma sociedade mais emocionada” do que ligada a questões racionais.

Uma sociedade “propícia a falsos argumentos”, sublinhou, durante a conferência “Combate às ‘fake news’ – uma questão democrática”, promovida hoje pela agência Lusa em Maputo.

O diretor do MISA aproveitou a ocasião para lembrar que, antes de existir a Internet, já circulavam ‘fake news’ e, no caso de Moçambique, como no de outros países, há questões de base por resolver.

Ernesto Nhanale referiu-se a um “autoritarismo institucional” que dificulta circuitos de informação, mas também a “um problema de formação, ao nível da escola”, numa alusão à formação de base e baixo nível de responsabilização quando algo corre mal.

O analfabetismo predomina e, mesmo entre quem domina o português ou outras línguas, há dificuldades ao nível da literacia digital.

Estes são aspetos para os quais são dirigidas atividades do MISA Moçambique, apontou Nhanale, realçando que a organização mantém um calendário que prevê debates sobre o problema da desinformação, ainda antes do final do ano.

A conferência Combate às Fake News – Uma Questão Democrática é promovida pela Lusa em parceria com o semanário Savana, que celebra 25 anos, e a Universidade Politécnica.

O evento sucede a outro sobre o mesmo tema promovido pela Lusa em fevereiro, em Lisboa.

Lusa

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