Procurador Vilanculos: Ré condenada a 22 anos de prisão

A 4.ª Secção do Tribunal Superior de Recurso (TSR) de Maputo condenou a ré Edith António D’compta de Câmara Cylindo a 22 anos de prisão maior pela sua participação no crime que ceifou a vida ao procurador Marcelino Vilanculos no dia 11 de Abril de 2016.

A ré foi ainda condenada ao pagamento no máximo de imposto de justiça e 500 mil meticais de indemnização aos familiares da vítima, por danos não patrimoniais. 

A decisão do TSR surge depois de o Ministério Público ter recorrido da sentença proferida pela 5.ª Secção do Tribunal Judicial da Província de Maputo, que absolveu a ré por insuficiência de provas. Na altura, o juiz da causa considerou que a confissão da ré sobresua participação no crime foi forçada, daí que a inocentou.

Inconformado com a sentença, o MP recorreu da decisão e ganhou a causa, tendo o TSR declarado nula a primeira decisão,pois, no seu entender, a confissão foi feita em resultado do conteúdo do relatório dos extractos das chamadas telefónicas feitas pela ré e os mandantes do crime, que viam no magistrado um obstáculo à sua acção de raptos. 

Assim, Edith Cylindo foi condenada pelo cometimento, em co-autoria moral e material e em concurso real de infracções, de um crime de homicídio qualificado e outro de associação para delinquir. A sentença salienta que a ré é condenada por se ter juntado a um grupo que, agindo em comunhão de esforços, ideais e divisão de tarefas, predispôs-se a tirar a vida a um magistrado, facto que foi alcançado. 

A sua conduta, segundo a sentença, concorreu directamente para tornar possível e facilitar o assassinato, tendo participado quer nos actos preparatórios quer nos de execução.

Tudo ocorreu em 2016, quando ela se juntou ao grupo liderado por José Ali Coutinho,que traçou o plano que culminaria com o assassinato do procurador Marcelino Vilanculos. Na altura, o magistrado era responsável pelo processo em que Ali Coutinho era acusado de sequestros.

Ali Coutinho contratou Edith Cylindo, com quem colaborava no mundo do crime para identificar, seguir, fornecer imagens fotográficas e informações financeiras das pessoas a raptar na cidade de Maputo. Assim, incumbia àré a missão de identificar, seguir e conhecer o itinerário e rotina do magistrado, sobre quem obteve informações de que trabalhava na 6.ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo e conduzia uma viatura damarca Mercedes-Benz, de cor branca.

Por ter prestado esta informação, ela receberia 500 mil meticais. O procurador foi morto por tiros doisparados de uma arma de fogo do tipo AK-47.

Fonte: Jornal Noticias

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