O aumento do turismo sexual no Dubai

Enquanto a federação dos Emirados Árabes Unidos é chefiada a partir de Abu Dhabi por Mohammed Ben Zayed, o Dubai é a sua capital económica, chefiada desde 2006 por Mohammed Ben Rashid al-Maktoum, que é simultaneamente vice-presidente e primeiro-ministro da federação. O emirado do Dubai tem três dos dez milhões de residentes da federação, mas com uma proporção de nacionais de apenas 5%, ainda inferior à do resto dos Emirados Árabes Unidos.

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O Dubai é de facto o lar de uma população expatriada muito grande, desde o salário mais baixo até ao mais alto, e atraiu 19 milhões de visitantes em 2019, mais uma vez desde as estadias com tudo incluído bastante acessíveis até às estadias muito altas. A prostituição, oficialmente proibida nos Emirados, mas tolerada de facto no Dubai, transformou a cidade num destino privilegiado para o turismo sexual no Golfo.

A FACE OCULTA DA GLOBALIZAÇÃO

A aposta do Dubai na sua espectacular integração na globalização tem sido particularmente bem sucedida, mesmo após a crise financeira de 2008 que forçou o emirado a desenvolver as suas actividades de serviços, entre as quais se destaca o turismo. O consumo de álcool é permitido em hotéis, bares, restaurantes e discotecas com uma licença específica, embora continue proibido em espaços públicos.

É geralmente nesses locais que os trabalhadores do sexo solicitam o potencial cliente, concordando com ele sobre o montante, duração e natureza do serviço. É assim possível contratar os serviços de uma acompanhante durante toda ou parte da estadia de uma pessoa no emirado. Uma hierarquia tácita considera as prostitutas chinesas, filipinas ou indianas de menor valor do que as suas homólogas da Ásia Central, elas próprias menos apreciadas do que as mulheres europeias, sejam elas russas, ucranianas ou ocidentais. As parceiras árabes continuam a ser as mais raras, e portanto as mais procuradas, porque operam com menos frequência no espaço público.

O número de prostitutas activas no Dubai, estimado em 2010 em 30.000, é por vezes estimado em 45.000. É evidentemente impossível saber exactamente quantas prostitutas existem, porque se baseia num sistema complexo em que os Emirados, autorizados a “patrocinar” a entrada de um certo número de estrangeiros com vistos de residência, transferem estes direitos de patrocínio para intermediários, sem conhecerem necessariamente a actividade real dos futuros “imigrantes”.

O sistema de vistos de residência, apesar da sua reforma de 2016, continua a permitir este tipo de manipulação, enquanto que as redes desmanteladas tendem a preocupar-se com o segmento inferior do mercado da prostituição. A transacção frequentemente concluída sem intermediários dá crédito à ilusão de ausência de proxenetismo, embora seja inconcebível oferecer tais serviços no Dubai sem uma protecção sólida. A ONU publicou em 2017 o testemunho de uma “escrava sexual” (sic) do Uzbequistão que, após 18 meses de pesadelo no Dubai, preferiu deixar-se prender pela polícia Emirati para ser deportada. Mais recentemente, foi no Bangladesh que as revelações condenatórias das vítimas deste tipo de tráfico, atraídas para o Dubai por falsas promessas de emprego interno, foram transmitidas.

ENTRE NORMALIZAÇÃO E VACINAÇÃO

O tratado de paz assinado entre Israel e os Emirados Árabes Unidos em Setembro passado foi muito rapidamente acompanhado pela abertura de ligações aéreas directas entre os dois países. Mais de cem mil turistas israelitas já visitaram o Dubai, onde a hospitalidade demonstrativa para com eles contrasta com a “paz fria” até agora reservada aos visitantes israelitas na Jordânia e no Egipto. Mas a imprensa israelita também dedicou várias reportagens escandalosas a formas de turismo sexual.

O diário “Yedioth Aharonoth” descreveu catálogos reais de prostitutas, com as transacções que delas podem resultar em torno da piscina de um grande hotel. O sítio online “Mako” estava interessado na reconversão de mafiosos israelitas em “agências de acompanhantes” no Dubai, enquanto reproduzia, em capturas de ecrã, trocas relacionadas com proxenetas. O diário “Haaretz” publicou mesmo um artigo intitulado “Visitar o Dubai é como estar à beira de uma violação em grupo”. Os defensores da normalização Israelo-Emirati protestaram contra tal ultraje e relativizaram a importância dos testemunhos relatados, que consideraram não representativos.

Em todo o caso, parece que o turismo sexual em geral vai aumentar ainda mais no Dubai. Desde há vários anos, o relatório anual do Departamento de Estado dos EUA sobre o tráfico de seres humanos tem considerado, apesar das observações encorajadoras, que “o governo dos Emirados Árabes Unidos não cumpre integralmente as normas mínimas para a eliminação do tráfico. A pandemia de coronavírus não deve afectar esta realidade, bem pelo contrário. De facto, a campanha realizada nos Emirados já tornou possível vacinar mais de um terço da população contra o Covid-19. Este é um argumento adicional para os sites especializados que elogiam os “pequenos segredos sujos” do Dubai e os encantos das “férias sexuais” neste emirado…

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