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Há escolas primárias sem aulas por falta de inspecção

Algumas na capital do país (cidade de Maputo) ainda não arrancaram com as aulas presenciais porque a equipa da inspecção não passou por elas. Nas que as aulas já iniciaram, a realidade é estranha para os alunos que procuram se readaptar a todo o custo.

A realidade é dura para os adultos, mas diferente e estranha para os alunos da sétima classe que voltaram às aulas presenciais esta segunda-feira…

Medir temperatura à entrada da escola, lavar as mãos antes de entrar na sala de aulas e andar de acordo com as marcas no pavimento pode representar dura realidade para os petizes, mas são regras necessárias para evitar a contaminação e propagação do novo Coronavírus que os alunos muito bem conhecem.

“É muito perigoso este vírus por isso devemos nos prevenir, manter o distanciamento social, evitar estar em sítios aglomerados” apontou algumas medidas, Acília Tembe, aluna da Escola Primária das FPLM, na cidade de Maputo.

E foi esta doença perigosa que os obrigou a ficar em casa por quase sete meses, período durante o qual as saudades foram se acumulando, mas a COVID-19 não deixou os alunos matá-la como era habitual.

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“Não é fácil porque ficamos muito tempo, estamos com saudades e gostaríamos de abraçar, mas não podemos por causa do coronavírus”, disse Acília Tembe, reconhecendo ser, esta, uma realidade difícil de lidar, mas “temos que nos readaptar a essa forma de viver por causa da pandemia”.

O que também deixou de ser habitual são as brincadeiras que aconteciam no intervalo. As crianças estão a ter de se reinventar. “O nosso intervalo não foi muito bom porque não pudemos brincar com as outras crianças para assegurar o distanciamento, que nos impõe muitas limitações”, contou Célia Agostinho, aluna

Não podem fazer brincadeiras que envolvam algum tipo de contacto e essa tem implicação directa naquilo que era o espírito de partilha. “Por exemplo, podemos fazer a brincadeira de verdade ou consequência não é preciso abraçar o outro, distanciado dos outros podes brincar e a outra é a que se chama neca, não toca em ninguém. Brinca no teu canto”, enumerou Célia Agostinho.

O tempo máximo de permanência na sala de aulas é de uma hora e durante este período o professor deve ensaiar as novas metodologias de ensino, também trazidas pelo Coronavírus.

“Na verdade, não é fácil tendo em conta que temos que manter a distância de 1.5 metros e eu só posso terminar no quadro. Assim, através de alguns exercícios posso indicar um aluno que, mesmo estando sentado, pode-me explicar como resolveu certos exercícios”, explicou Lucas Timula, professor na Escola Primária Completa das FPLM.

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O sino toca e chegou o fim de uma aula. É intervalo. Orientados professores fazem-se ao pátio, mas com circulação condicionadas. Os alunos só podem ficar defronte da sala, por cinco minutos, excepto os que queiram ir à casa de banho. Mas há outras coisas que foram sacrificadas em prol da prevenção da COVID-19. A lanchonete da Escola está encerrada.

“Não é permitido que todos os alunos saiam em simultâneo. Saem, em cada cinco minutos, dois pavilhões. Cada um deve trazer o seu lanche de casa. Nós mandamos encerrar a lanchonete porque as crianças iriam lá se aglomerar”, revelou Armindo Lissai, director da Escola Primária Completa das FPLM.

De longe ouve-se o som da enxada, acompanhada por uma conversa para descontrair. Professores e direcção da Escola fazem limpezas e os corredores vazios. É terça-feira e não houve aulas na Escola Primária Completa 25 de Setembro porque os alunos tem aulas apenas três vezes por semana.

“Os dias são alternados e nós, aqui na 25 de Setembro, os alunos têm aulas às segundas, quartas e sextas-feiras. Este horário é do conhecimento das autoridades e não vai comprometer o calendário escolar”, assegurou Albertina Guambe, directora da Escola Primária completa 25 de Setembro.

O acesso à Escola Primária Unidade 22, bairro Mafalala, cidade de Maputo é complicado…esta vala de drenagem com água turva e com um cheiro desagradável foi construído sem ter conta as facilidades para a entrada de alunos.

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Já no recinto o silêncio é perturbador…as aulas ainda não iniciaram porque a inspecção ainda não passou por aquela instituição do ensino e sem datas previstas.

Ainda na capital, as aulas não arrancaram na Escola Primária de Maxaquene, onde, só esta terça-feira que a inspecção passou por aqui, contudo o reinício das aulas presenciais é uma incerteza.

“Iniciaremos as aulas ainda esta semana. Já foram criada todas as medidas de prevenção. Temos todo o rol de higienização, tivemos as capacitações com os professores e assim só aguardamos o retorno dos alunos”, avançou Cláudia Sitoe, directora da Escola Primária Completa de Maxaquene.

Entre discrepância dos dias de arranque das aulas e as várias estratégias de prevenção, assim decorre o processo de regresso as aulas no novo normal, na cidade de Maputo.

Por: O País

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