Tecnologia desviada: AirTag da Apple, um gadget para assédio

Nas redes sociais, as jovens continuam a alertar para os casos de assédio possibilitados pelo AirTag da Apple de localização da empresa americana.

À primeira vista, o AirTag da Apple parece ser a ferramenta perfeita para encontrar as chaves, a carteira, o animal de estimação ou a mala perdida depois de uma viagem de avião. Ou para seguir o paradeiro do seu filho depois da escola. Mas desde o seu lançamento em 2021, houve inúmeros casos – relatados tanto nas redes sociais como na imprensa – de utilização abusiva do sinal de localização, principalmente por homens, para seguir e assediar mulheres.

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Como é que o fazem? Instalando o dispositivo, que custa em média 39 euros, nos objectos pessoais da vítima. E é evidente que, apesar dos avisos, o fenómeno está longe de diminuir. “Senhoras, tenham muito cuidado com os AirTags. Alguém me pôs um no 16º [arrondissement], há alguns dias. E agora a minha amiga acaba de encontrar um no caminho do ginásio para casa. Estão a tentar outra vez. Cuidado redobrado. Os cães andam à solta”: esta mensagem, assinada no Twitter por um internauta na terça-feira, 13 de junho, já foi lida mais de 3,7 milhões de vezes e “apreciada” quase 18 600 vezes na tarde desta quarta-feira.

Quando se deparou com o gadget, tudo fez sentido para a jovem artista. Desde o fim de uma relação amorosa tumultuosa, ela diz que tem recebido incessantes telefonemas e inúmeras mensagens do ex-namorado, que chega a bater-lhe à porta a meio da noite, quando não está a invadir o restaurante onde ela está a jantar.

“Quando encontrámos o AirTag, tornou-se claro que eu não estava louca. Eu sabia que alguém me estava a seguir”, disse a jovem.

“Senti-me violada. Isolei-me. Deixei de sair”, confidencia. “Sei que alguém pode colocar um dispositivo no meu corpo, nos meus bens, e seguir-me para o resto da minha vida. E (estes dispositivos) estão a ficar cada vez mais pequenos e mais difíceis de detetar”, continua com raiva.

O caso de Alison Carney não é um caso isolado. Em junho, um homem de 26 anos foi morto pela namorada que suspeitava que ele o estava a trair e que estava a seguir a sua localização com um AirTag no estado de Indiana, de acordo com documentos judiciais.

O último caso remonta a 5 de fevereiro em Irving, uma pequena cidade a norte de Dallas, no Texas. O porta-voz da polícia local, Robert Reeves, disse que só a esquadra da cidade já tratou de vários casos envolvendo o famoso acessório da Apple, em que a vítima e o seu seguidor se conheciam.

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