África/Gabão: Tráfico de marfim travado no Gabão

Seis gaboneses e dois camaroneses foram detidos a 11 de agosto de 2023 na região centro-oeste do Gabão, na sequência de uma queixa da Conservation Justice. Esta ONG intensifica as suas acções contra a caça furtiva no país. Nesta ocasião, estima-se que a polícia tenha detido 120 quilos de marfim num veículo com destino aos Camarões, o que equivale ao abate de uma centena de elefantes, segundo a ONG. A polícia também encontrou armas de caça, munições e várias substâncias ilegais, como o Tranadol.

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Embora a vontade política de acabar com o tráfico seja inegável, no Gabão, algumas grandes redes ainda conseguem sobreviver, diz Luc Mathot, fundador da Conservation Justice. O governo reforçou a sua legislação e as suas medidas contra o tráfico. O ativista acredita que ainda existem 95.000 elefantes na floresta do Gabão, uma população estável que faz do país “o seu último grande refúgio”, enquanto a população está a diminuir noutros locais do continente.

No entanto, a pressão mantém-se, sobretudo a partir dos Camarões, de onde os traficantes podem exportar o marfim para a Ásia. Pensa-se que uma rede bem organizada utiliza veículos especialmente adaptados para esconder a mercadoria e iludir a vigilância dos funcionários aduaneiros. Esta apreensão poderá levar à detenção de outros traficantes nos próximos meses e, segundo a polícia, à descoberta de vários stocks de marfim em várias províncias do Gabão.

O crime contra a vida selvagem gera lucros significativos para as redes criminosas, mas representa também um risco importante para a segurança devido às redes organizadas de tipo mafioso. As presas de elefante continuam a ser muito procuradas na Ásia, apesar dos esforços de alguns países, como a China, que proibiu oficialmente o comércio interno de marfim em 2015. Segundo a Conservation Justice, o preço do marfim pode ainda atingir 1000 euros por quilo no mercado chinês.

Embora a resposta da justiça nem sempre seja imediata – nomeadamente nos Camarões – as detenções estão a aumentar, reconhece a rede EAGLE, que reúne ONG que lutam contra o tráfico de marfim e de animais selvagens, bem como contra a corrupção que lhe está frequentemente associada.

Camarões, um centro?

Desde o início do verão, foram detidos vários traficantes no Congo, na Costa do Marfim e no Gabão.

No início de julho, por exemplo, três traficantes de marfim foram detidos em Yamoussoukro com seis presas de elefante. Um par de presas muito grande, pesando 38 kg, pertencia a um elefante morto no parque nacional de Taï, de um dos maiores machos que restam no país.

Também no Gabão se registam progressos na luta contra o tráfico. Segundo a Conservation Justice, a polícia realizou 28 operações importantes em 2022, graças ao apoio da ONG, que levaram à detenção de 50 pessoas e a 34 penas de prisão.

Luc Mathot, entrevistado pela RFI, espera agora que os Camarões também adoptem uma atitude mais dura, “porque, em última análise, os principais organizadores deste tráfico estão nos Camarões. São eles que alimentam a rede, que fornecem as munições e o dinheiro para levar a cabo este tráfico de marfim, que envolveu quase todo o Gabão”.

“Dada a complexidade e a escala do tráfico, pensamos que seria melhor reforçar a vigilância com a ajuda das ONG locais, porque há muitas ameaças à população de elefantes”, disse Philippe Ongouoli, diretor da luta contra a caça furtiva no Ministério da Água e das Florestas, à revista TRT Afrika.

A estreita colaboração entre as ONG – que dispõem de verdadeiros detectives – e a polícia permite que os comportamentos corruptos não sejam detectados.

“Detectamos a corrupção em 85% das nossas detenções e em 80% dos casos levados a tribunal”, explica a rede EAGLE. “Não nos limitamos a detetar a corrupção, o nosso papel é lutar contra essas tentativas de corrupção. Esta abordagem tem recebido um bom apoio por parte dos governos interessados em combater a corrupção nos seus serviços.”


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