Guerra na Ucrânia: antigos soldados Wagner fazem uma confissão arrepiante, “ela tinha 5 anos, eu dei-lhe um tiro na cabeça”

“Ela estava a gritar. Era uma criança pequena [com mais ou menos] cinco anos. Matei-a.” Esta foi uma confissão de um mercenário do grupo pró-russo Wagner, que tinha ordens para “matar toda a gente”.

A ordem era simples. “Liquidar todas as pessoas que aparecessem no caminho” dos mercenários do grupo Wagner na cidade de Bakhmut, palco de intensos confrontos entre as tropas leais a Moscovo e as forças ucranianas desde o final do ano passado. A confissão foi feita num vídeo gravado pelo militar e ex-presidiário, Azamat Uldarovpartilhado pela organização não governamental russa antitortura Gulagu net.

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Num desses episódios, Azamat Uldarov conta que um dia matou uma criança que “tinha entre cinco e seis anos”. “Ela estava a gritar”, recordou o mercenário, que explicou que, nesse dia, tinha “ordens para não deixar sair ninguém” vivo na cidade de Bakhmut. “A ordem era para dizimar, para liquidar todas as pessoas que se pusessem no nosso caminho.”

Questionado sobre quem lhe dava estas ordens, o mercenário menciona, no vídeo, os seus superiores hierárquicos. Mas também realçou que o líder do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, lhe tinha comunicado para “não deixar ninguém” e para “matar toda a gente”, inclusivamente os civis. “Eu não devia deixar sair ninguém num dos dias”, lembrou.

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Azamat Uldarov era um ex-presidiário que foi amnistiado pelo Presidente russo, Vladimir Putin, por ter decidido ir combater na Ucrânia. Na mesma situação estava Aleksey Savichev, que também partilhou um vídeo à Gulagu net, em que revela o seu testemunho sobre o que aconteceu em Bakhmut, nomeadamente sobre o que acontece aos militares que recusam cumprir as ordens dos seus superiores hierárquicos.

Naquilo a que dá o nome de “detenção inocente de um homem que recusa receber uma ordem direta”, Aleksey Savichev detalhou que a cabeça do militar é “amarrada” aos órgãos genitais ao mesmo tempo as que “nádegas” são “rasgadas”. O próprio mercenário confessou já tinha feito isso, após este um militar ter “desobedecido a uma ordem”.

“O que acontece depois disso? Não sei, isso não é o meu trabalho”, disse Aleksey Savichev, que frisou que aquele militar foi entregue aos seus superiores hierárquicos — e que nunca mais voltou a vê-lo.

A Ucrânia já reagiu às confissões dos dois mercenários. Citado pela agência de notícias Interfax, o chefe do gabinete da presidência da Ucrânia, Andriy Yermak, disse que os vídeos “mostram os crimes do exército russo na Ucrânia”: “Eles roubam as nossas crianças e matam-nas”.

Para Andriy Yermak, os dois mercenários devem ser condenados de forma “dura e justa”. Algo que, garante o responsável, acontecerá no futuro. “Nós vamos apurar todos os crimes e vamos encontrar todos os que cometeram”, prometeu.

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