Moçambique: Mais de 100 terroristas mortos e 350 civis resgatados em Cabo Delgado afirma embaixador ruandês

Mais de 100 terroristas foram mortos e pelo menos 350 civis resgatados pelas forças militares ruandesas, incluindo mulheres e crianças, na região norte de Cabo Delgado, disse hoje o embaixador do Ruanda em Moçambique.

Claude Nikobizanzwe, que falava por videoconferência num seminário do Instituto de Estudos de Segurança (ISS) de Pretória, sobre o combate aos ataques em Cabo Delgado, referiu que a intervenção militar bilateral era « inevitável para estancar a insurgência terrorista » no norte do país vizinho.

Na sua intervenção, o diplomata explicou que a intervenção militar do Ruanda na região de Cabo Delgado acontece em resposta a um pedido do Governo moçambicano no âmbito de um acordo de segurança assinado com Moçambique, em 2015.

cContacto: +258 84 91 29 078 / +258 21 40 14 21 – comercial@feelcom.co.mz

« O mandato é de apoiar as forças moçambicanas a impedir a criação de um califado [Estado islâmico], restabelecer a autoridade do Estado na província de Cabo Delgado, (…) promovendo a cooperação civil e militar, e apoiar a capacitação das Forças Armadas moçambicanas », salientou.

« Na sequência das operações conjuntas entre o Ruanda e Moçambique, os insurgentes foram repelidos de Mocímboa da Praia, Palma e Mueda, mais de 100 terroristas foram mortos e alguns capturados e pelo menos 350 civis foram resgatados, incluindo mulheres e crianças », salientou.

As forças militares ruandesas capturaram igualmente uma « quantidade considerável » de armamento militar não especificado, veículos, computadores, telemóveis e documentos, « que estão a ser analisados », segundo o diplomata.

De acordo com a mesma fonte, cerca de 50.000 deslocados internos foram reassentados em Palma e aldeias vizinhas.

O diplomata considerou que o grupo terrorista se encontra em « situação de enorme fragilidade », sublinhando que « será totalmente erradicado ».

Sobre os termos do acordo bilateral de intervenção militar no norte de Moçambique, o embaixador ruandês remeteu para o Governo moçambicano a sua divulgação pública.

cContacto: +258 84 91 29 078 / +258 21 40 14 21 – comercial@feelcom.co.mz

Todavia, o porta-voz da Defesa Nacional de Moçambique, Omar Saranga, que participou no evento em representação do ministro Jaime Neto, escusou-se a precisar o mandato temporal da intervenção das várias forças militares estrangeiras na região norte de Moçambique, assim como a quantificar o modelo de financiamento, incluindo bilateral e multilateral.

Nesse sentido, questionado pela Lusa sobre a compra direta de armamento pelo Governo de Moçambique à África do Sul, o porta-voz da Defesa moçambicano frisou: « é meu entendimento de que não faz parte deste tema ».

Mais de 20 países ajudam Moçambique na luta contra o terrorismo na província de Cabo Delgado, região norte do país, segundo o Instituto de Estudos de Segurança de Pretória (ISS).

Um estudo do Instituto de Estudos de Segurança (ISS) de Pretória, divulgado hoje, adverte que a coordenação entre as várias missões militares estrangeiras e a adaptação da formação a ser fornecida às Forças Armadas moçambicanas « é vital para garantir respostas eficazes ».

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada há quatro anos por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020.

cContacto: +258 84 91 29 078 / +258 21 40 14 21 – comercial@feelcom.co.mz

leave a reply