Brasil: Bolsonaro quer assumir o controlo da gigante petrolífera Petrobras

Confrontado com o aumento dos preços dos combustíveis devido em particular à guerra na Ucrânia, o presidente da extrema-direita brasileira, Jair Bolsonaro, demitiu o chefe do grupo petrolífero estatal Petrobras na segunda-feira 28 de Março, numa tentativa de limitar a inflação alguns meses antes das eleições presidenciais de Outubro.

Movimento económico e político ao mesmo tempo. Após o anúncio pela gigante petrolífera brasileira Petrobras de um aumento dos preços dos combustíveis, o presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro, decidiu de um dia para o outro livrar-se do grande chefe da empresa, poucos meses antes das eleições presidenciais de Outubro.

Joaquim Silva e Luna, o oficial militar nomeado pelo próprio Bolsonaro há pouco mais de um ano para chefiar a Petrobras (um dos gigantes mundiais do petróleo, extraindo mais de 2 milhões de barris por dia), soube da sua demissão na segunda-feira à noite, 28 de Março. O grande diário brasileiro O Globo explica:

“A partida de Silva e Luna era esperada, uma vez que ele anunciou [no início de Março] um aumento de 18,77% nos preços da gasolina e um aumento de 24,9% nos preços do gasóleo, motivado pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia e pelo aumento dos preços do petróleo nos mercados mundiais”.


Inflação de mais de 10%


Jair Bolsonaro disse a 10 de Março que a política da Petrobras de alinhamento com os preços internacionais do petróleo “não pode continuar”. A sete meses das eleições presidenciais, para as quais pretende candidatar-se novamente – actualmente ultrapassado nas sondagens pelo ex-presidente de esquerda (2003-2011) Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como “Lula” – o homem forte do Brasil está a tentar conter a inflação teimosa. Em Outubro passado, os preços aumentaram mais de 10,6% numa base anual.

O novo chefe da Petrobras, Adriano Pires, continua o jornal do Rio de Janeiro, “terá de enfrentar a pressão de não reavaliar os preços e convencer os mercados [parte da empresa está cotada na bolsa de valores]. Embora seja um técnico, trabalha como consultor há algum tempo.

“Tocar o acto de equilíbrio”


De acordo com a maioria dos analistas económicos brasileiros, mudar a cabeça da Petrobras não irá alterar o aumento dos preços dos combustíveis. “Mais do que uma verdadeira mudança de direcção, o que o mercado teme é a interferência do Estado, e ainda mais neste ano eleitoral”, continua O Globo, citando um consultor:

“O novo patrão da companhia petrolífera terá de fazer um acto de equilíbrio […]. Hoje em dia, é o clima político que ditará as regras”.

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