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“Eu acredito que o tratamento é mais forte e te põe de facto doente.”

Cancro da mama

Celebrada anualmente no ano mundo inteiro, outubro rosa é uma campanha realizada com a intenção de alertar a sociedade sobre o diagnóstico precoce do câncer ou cancro de mama.

A mobilização visa também a disseminação de dados preventivos e ressalta a importância de olhar com atenção para a saúde, além de lutar por direitos como o atendimento médico e suporte emocional, garantindo um tratamento de qualidade.

Graça Colimão Nolan

Graça Nolan, sobrevivente de cancro da mama

Para poder conhecer um pouco mais da história de quem sentiu na pele e superou o cancro da mama, conversamos com Graça Colimão Nolan.

Mulher bem vivida, de 49 anos de idade, empresária e mãe de três filhos, Graça Nolan, como prefere ser tratada, começa por contar que descobriu o nódulo mamário maligno há sensivelmente 4 anos. Na ocasião, ela foi ao hospital acompanhar sua filha mais nova para consultas de rotina e aproveitou a oportunidade para fazer os exames de cancro de mama.

Ela conta que, ao receber o diagnóstico, por não ter informações detalhadas sobre a doença, não sentiu o medo que outras mulheres sentem ao descobrirem que têm esta doença. O médico que a atendera conversara com ela e, numa primeira fase, começou por dizer apenas que ela tinha uma massa na mama esquerda, mas que não devia ser nada. Para se certificar, foi à vizinha África do Sul, num hospital de Nelspruit, onde fez uma nova bateria de exames e recebeu mais informações sobre a doença com a sua médica.

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Ela disse que durante o processo de diagnóstico recebeu um acompanhamento psicológico e foi lhe dito que não seria necessário a retirada completa da mama, mas que tirariam parte dela. O que não chegou a acontecer, já que, segundo ela, a tecnologia avançada do país vizinho permite identificar concretamente a parte da mama afectada e remover apenas o nódulo maligno.

Questionamos, pela dimensão do problema, se teria compartilhado a informação sobre o diagnóstico do cancro maligno com familiares ou amigos, pelo que respondeu:

“Quando me ligaram do hospital de Nelspruit para dar os resultados, disseram que o cancro era maligno e que tinha de ir o mais urgente possível para a operação. Eu tomei a decisão de ir, mas antes sentei com o meu marido e informamos aos nossos filhos. Eu peguei no telefone quando estava a viajar, liguei para a família e informei que ia ser operada. Há aquelas pessoas que quando descobrem que têm cancro, fazem reuniões com a família para decidir o que vai se fazer, comigo não foi assim. Foi só uma decisão entre mim e meu marido.”

Questionada se ela chegou a sentir-se efectivamente doente antes de saber que tinha o cancro na mama e ela respondeu negativamente, dizendo que sentiu apenas algumas dores na mama e que a mesma libertava um líquido, mas que isso não chegara a deixá-la debilitada. Foi durante o tratamento que Graça Nolan sentiu mais dores.

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“Eu acredito que o tratamento é mais forte e te põe de facto doente. Fiz radioterapia durante um mês, porque consoante o desenvolvimento da doença o médico decide quantas sessões devem ser feitas, e para o meu caso foi rádio e não quimioterapia”.

O cancro de mama é um tumor maligno que ataca o tecido mamário e é dos tipos mais comuns. Ele se desenvolve quando ocorre uma alteração de apenas alguns trechos das moléculas de DNA ou ADN, causando uma multiplicação das células anormais que geram o cisto.

De acordo com o Ministério da Saúde, dezassete mil pessoas morreram vítimas de cancro da mama em Moçambique, em 2019, ano em que foram registados 25 mil casos da doença que poderá aumentar para cerca de 51.8 mil em 2040.

Continua…

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