Putin não participará da cúpula dos Brics – presidência sul-africana

O presidente da Rússia não participará de uma cúpula na África do Sul no próximo mês, de acordo com a presidência do país.

O anúncio ocorre depois que o líder da África do Sul disse que qualquer tentativa de prender Vladimir Putin seria uma declaração de guerra contra a Rússia. Se Putin tivesse deixado o solo russo, estaria sujeito a um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI).

A África do Sul é signatária do TPI e espera-se que ajude na prisão de Putin.

Em vez disso, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, representará o país na cúpula de dois dias. No entanto, Putin participará da conferência Brics – um acrônimo para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – por link de vídeo, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, segundo a mídia russa.

O grupo Brics é visto por alguns como uma alternativa ao grupo G7 de economias avançadas.

Em um comunicado, a presidência da África do Sul descreveu o acordo para Putin não comparecer como “mútuo” e disse que surgiu após uma “série de consultas” na cúpula.

Apoiadores da Rússia criticaram a decisão, dizendo que a África do Sul deveria ter insistido e usado sua soberania para proteger e defender seu amigo. O convite da África do Sul a Putin, feito antes que o TPI o acusasse de crimes de guerra na Ucrânia, causou polêmica nacional e internacionalmente.

Passou a ser vista como uma manobra do governo para se afastar do meio-termo que buscava trilhar, ao lado de outras nações africanas, no conflito entre Rússia e Ucrânia.

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Mas o governo do presidente Cyril Ramaphosa tornou-se frenético à medida que aumentava a pressão para prender o presidente Putin.

O maior partido da oposição, a Aliança Democrática, foi à Justiça para tentar forçar as autoridades a prender Putin, caso ele pisasse no país. O grupo global de direitos humanos Anistia Internacional também fez parte do desafio.

Os documentos do tribunal revelam que o Sr. Ramaphosa era firmemente contra tal movimento, afirmando que a segurança nacional estava em jogo.

“A Rússia deixou claro que prender seu presidente em exercício seria uma declaração de guerra. Seria incompatível com nossa constituição arriscar entrar em guerra com a Rússia”, disse ele em depoimento.

Peskov negou que Moscou tenha dito à África do Sul que prender seu presidente significaria um ato de guerra, mas disse que estava “claro para todos o que [esse tipo de] infração contra o chefe do Estado russo significaria”.

A Rússia sempre descreveu o mandado de prisão do TPI como ultrajante e legalmente nulo, porque o país não é membro da organização.

O continente africano continua dividido sobre a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com alguns países mostrando relutância em apoiar as resoluções das Nações Unidas que condenam a Rússia por suas ações na Ucrânia.

As razões para isso variam de país para país, mas especialistas dizem que um fator são os laços econômicos que alguns, incluindo a África do Sul, têm com Moscou.

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