Viajando na ficção com Lilly Maxwell: Entre O Amor e a Razão, Capitulo 1

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Vale dos prazeres, era uma vila situada entre dois planaltos cobertos de verde. Um lugar mágico e singular, onde o tempo parecia correr de forma diferente, a vida tinha um sabor doce e o futuro parecia um lugar distante.

Aquele lugar parecia um paraíso como vemos desenhado em vários livros. Um lago com águas cristalinas, árvores frondosas e o ar mais puro.

Para Ana era o melhor lugar do mundo, seu pedaço de céu na terra. Ana não tinha muitas ambições na vida e desde pequena seus pais repetiam que só queriam que ela fosse feliz. Bastante inteligente e curiosa, ela era sempre a preferida dos professores e Ana gostava de aprender coisas novas.

Mas a sua paixão era pela natureza. Ela sentia-se conectada a terra, dizia até que as plantas falavam com ela, que a água do lago contava-lhe segredos daquela terra e os animas eram seus amigos fieis.

Com dezoito anos, ela continuava com aquela ar de menina, cabeça nas nuvens, cantando e dançando pelo campo com um sorriso de orelha a orelha.

– Ana! Ana, onde estás?- Ela ouve sua mãe chamar e levanta-se de imediato, correndo ao encontro dela.

Seu vestido Amarelo de linho e a coroa de cravos brancos na cabeça, realçavam a beleza e inocência de Ana. Ela corre alegre, sempre cantando , segurando um arranjo de rosas vermelhas para decorar a mesa da sua casa.

– Aqui estou mãe.- Ana fala ao aproximar-se de sua mãe.

– Venha, eu e teu pai precisamos conversar contigo.

Ana estranhou a seriedade de sua mãe mas obedeceu, como sempre.

Deixou as rosas na cozinha e acompanhou a mãe até a sala onde seu pai as esperava. Sentou no sofá e esperou.

– Senta aqui do meu lado minha filha.- O pai fala, indicando com a mão o lugar ao lado dele.

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Ana levanta e vai sentar-se onde lhe fora indicado.

– Filha, tu já és uma mulher. E eu e tua mãe conversamos… e, bem, não estamos a ficar mais novos com o tempo e gostaríamos de poder deixar-te protegida e cuidada.

Ana era a única filha de Pedro e Isabel. Por muitos anos Isabel não conseguia conceber e isso só aconteceu quando ela ia a caminho dos quarenta anos. E Ana foi recebida com muito amor e alegria. Era uma festa todos os dias. Mas quanto mais ela crescia, mais sua mãe se preocupava com o futuro dela. Pedro era professor na escola da vila e Isabel era doméstica. Eles eram uma família humilde mas eram muito felizes. Tinha o suficiente para viver e isso bastava.

– O que teu pai quer dizer Ana, é que achamos melhor que te cases. Um marido vai dar-te casa e protecção. Mesmo quando já não estivermos aqui para cuidar de ti ele cuidará. – Sua mãe acrescentou.

– Casar!?- Ana falou, não conseguindo esconder seu espanto.

– Sim ,Ana. – Sua mãe respondeu.

– Mas eu…- Ela cala-se vendo o olhar de sua mãe, reprovando seu comportamento.

– Uma das famílias aqui da vila aproximou-se do seu pai, fazendo saber de suas intenções. O rapaz é de boa família, é verdade que está afastado da vila há algum tempo pois foi continuar seus estudos na capital. Mas volta sempre no fim de ano para visitar os pais. Deves conhece-lo, chama-se Miguel.- A mãe falou animada, mas o pai parecia contorcer-se no lugar a cada palavra de sua esposa.

– Não conheço- Ana murmura , olhando para o chão.

– Tens razão. Ele é um pouco mais velho que tu. Mas é um óptimo partido e a família tem bons princípios, vai ser um excelente marido para ti Ana.

Ana continuava em silêncio, mil ideias passando pela sua cabeça. Em nenhum momento ela pensou em casar-se. Ela gostava da sua liberdade, de poder passear pelo campo, nadar no lago, e perder horas olhando o por do sol. Um marido certamente não lhe deixaria fazer todas essas coisas que tanto amava.

– Nós fazemos isto para o teu bem , Ana. Podes não perceber agora, mas tenho certeza que um dia irás agradecer-nos.- Sua mãe continua.

Ana olha para seu pai, buscando uma bóia de salvação. Ele apenas encolhe os ombros e desvia o olhar. Ela percebe, naquele momento, que nada a salvaria do tal casamento.

E quem era esse noivo misterioso? Ela não lembrava de nenhum Miguel. Teria que perguntar sua amiga, Laura. Pois ela conhecia todas as famílias da vila.

– Posso voltar para os meus afazeres?- Ana questiona depois de alguns minutos de silêncio.

– Sim. O noivado e casamento será em duas semanas, o jovem estará cá e faremos a cerimónia nessa altura. Já pedi a mãe da Laura para costurar um vestido lindo para ti. Iremos lá mais tarde par tirar as medidas. Alegra-te filha, é uma bênção casar-se tão nova e numa boa família.

Ana queria responder-lhe que ela via esse casamento como uma maldição. Mas não se atreveria a tirar tais palavras. Como uma boa filha, ela iria obedecer seus pais e casar-se com o desconhecido que seus pais acharam ser o marido ideal para ela.

Logo que sai da sala, Ana respira fundo. Aquela conversa a tinha deixado sufocada, sentia as amarras do compromisso a apertarem-lhe e não sabia como livrar-se daquela sensação agonizante. Foi até ao seu jardim e lá ficou, desabafando com as flores suas mais recentes preocupações.

Horas depois sua mãe a chamou para que a acompanhasse para a casa da costureira da vila e mãe da melhor amiga de Ana, a Laura. Logo que chegaram , Laura a recebeu com um abraço caloroso e cheio de emoção. Mas foi logo interrompido pelas duas senhoras, pois Ana precisava tirar medidas para o vestido de casamento.

Logo que se despachou, Laura a arrastou para seu quarto para que pudessem conversar tranquilamente e sem que suas mães as ouvissem.

– Nem acredito que vais casar!- Laura fala, jogando-se na cama.

– Nem eu.- Ana responde, enquanto senta no canto da cama.

– E logo com o Miguel!- Laura solta um suspiro logo que termina de pronunciar o nome do futuro marido de Ana.

– Tu o conheces?- Ana questiona, curiosa.

– Claro! E tu não??

Ana abana a cabeça.

– Não acredito! Tu és mesmo uma distraída Ana. Sempre com a cabeça nas nuvens, mais preocupada com as plantas e animais que com o que se passa a tua volta.

– Eu queria mesmo perguntar-te se o conhecias. Estou completamente no escuro, nem sei o que me espera. E se eu não gostar dele? Ou pior , ele não gostar de mim? Como poderei ficar casada com alguém que não suporto. Eu acho que meus pais não pensaram bem nisto.

– Por Deus, Ana! É impossível não gostar do Miguel. Ele é lindo, porte atlético, uns olhos penetrantes e uma boca que faz-te imaginar coisas que não devias.- Laura fala , rindo-se.

– Laura! Tu só falaste de características físicas. Não é disso que eu falava. Eu quero saber se ele não é desses machistas, muito chatos e intransigentes. Eu quero saber se poderei continuar meus estudos, e talvez me deixe fazer algo que goste depois, um trabalho. – Ana fala hesitante.

– Ham, bem, isso não sei dizer-te. Laura não havia sido de grande ajuda. E Ana estava cada vez mais com receio do que seu futuro a reservava. Teria que confiar em seus pais, eles nunca fariam nada que a magoasse.

Próximo capítulo amanha

Publicado por  Lilly Maxwell

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