Viajando na ficção com Lilly Maxwell: Entre O Amor e a Razão, Capitulo 3

7 anos depois…Dizem que o tempo cura todas as feridas, mas no caso da Ana só fez endurece-la. O sorriso perdeu-se no dia que Miguel a abandonou no altar, desaparecendo antes mesmo de ter entrado em sua vida.

Como era inocente, ingénua e de coração puro a nossa Ana. Sem o conhecer ela apaixonou-se por Miguel ouvindo dos outros suas qualidades, fitando suas fotografias, por vários minutos, no álbum de família enquanto Adélia contava histórias sobre a infância dele. Como poderia ser diferente, se todos só tinham coisas boas para falar do homem que em breve se tornaria seu esposo, o colocavam num pedestal como se de um deus grego se tratasse. E isso só alimentava a imaginação e sentimentos da jovem Ana.

O tão esperado dia chegou e Ana não conseguia controlar as borboletas que dançava dentro dela. Canções de alegria e prosperidade eram entoadas pelas mulheres que haviam se juntado em casa de seus pais para ajudar a preparar a noiva. Era mágico, era indescritível a beleza de tal celebração. Ana sentia-se nas nuvens, como um anjo que aprendeu a voar naquele momento e usava suas asas pela primeira vez.

O momento alto do seu dia foi ver Miguel. Vê-lo pessoalmente , pela primeira vez , parado no altar esperando por ela foi de tirar o fôlego. E chegou a conclusão que sua amiga não exagerou na descrição, talvez tenha até diminuído suas qualidades. As borboletas em sua barriga pareciam mais entusiasmadas que ela. Ana caminhou até ao altar , tentando controlar seu coração que batia freneticamente. Ela devia ficar atenta ao que o celebrante dizia mas estava sendo difícil ignorar a presença do homem ao seu lado. O aroma do perfume, o calor que emanava e todos os sentimentos confusos que pareciam em batalha dentro dela.

Mas nada a preparou para a decepção, o abandono, a dor da rejeição . A dor esmagadora que sentiu ao ver Miguel afastar-se, sem olhar para trás, a vergonha que a inundou quando se viu sozinha no altar e os olhares de pena estampando no rosto de todas aquelas pessoas que a viram crescer, que eram como sua família foi difícil de suportar.

Ana só pensava em fugir, esconder-se de tudo e de todos. Talvez devesse seguir Miguel e aproveitar fugir dali com ele. Estava sendo tola por pensar que ele poderia leva-la com ele. Mas Ana saiu correndo, em direcção oposta de Miguel, deixando para trás vozes preocupadas que chamavam por ela.

Mas para onde iria se tudo que conhecia era o seu paraíso. Ana teve que aprender a viver com a vergonha e a dor que a consumia depois de seu coração ser partido em pedaços e sua inocência ser arrancada. Os pais de Miguel recusaram-se a deixa-la voltar para casa de seus pais. segundo a tradição ela agora pertencia a família deles pois para todos os efeitos ela era casada com Miguel. Ana não teve escolha senão viver com seus sogros, como uma mulher casada apenas com o retrato do seu esposo, que estava cuidadosamente colocado na mesinha de cabeceira ao lado de sua cama. Decidiu que iria olhar apenas para o lado as poucas coisas boas que resultaram daquele casamento falhada. Ela pôde manter sua liberdade, trabalhar na fazenda e aprender do seu sogro como administra-la. E logo tornou-se no braço direito de seu sogro, uma peça essencial para o funcionamento da fonte de sustento da família. Mas nem todos viam isso com bons olhos. Suas cunhadas casaram e queriam que seus esposos administrassem o património da família.

Com a morte do patriarca as tensões só aumentaram, pois teria que se escolher um sucessor. As irmãs sabiam que Miguel não queria nada com a vida do campo e tinham dúvidas até se viria para o funeral do pai.

Com a morte do patriarca as tensões só aumentaram, pois teria que se escolher um sucessor. As irmãs sabiam que Miguel não queria nada com a vida do campo e tinham dúvidas até se viria para o funeral do pai.

Faltava apenas um dia para a o funeral e a sensação esmagadora que acompanhava Ana desde que seu sogro deu o último suspiro parecia piorar a cada segundo. Decidiu afastar-se por algumas horas e ir ao lago. Aquele lugar conseguia acalma-la.

Mas viu-se frente a frente com Miguel, empunhando uma faca como se isso fosse protege-la contra seus próprios sentimentos.

Ele nem sequer a reconheceu, mas algo os puxava um para o outro e um beijo inesperado trouxe de volta uma enxurrada de sentimentos que ela oprimiu toda sua vida.

O primeiro beijo… ela o imaginou por dias antes do casamento e sete anos depois ele aconteceu. E foi como se virassem seu mundo do avesso, incendiassem seu ser e ela descobrisse uma chama extinguida, uma verdade escondida, o segredo mais bem guardado sobre seu próprio corpo.

Ana recuperou seus sentidos, e só ai apercebeu-se da nudez de seu corpo. Cheia de vergonha recolheu o tecido e cobriu seu corpo. Mas não teve coragem de encara-lo novamente, fez o que sabia fazer melhor, fugir. Conseguia ouvir a voz de Miguel chamando por ela, enquanto corria entre os arbustos altos como uma adolescente assustada.

Não era esse o reencontro que ela tinha em mente. Ela queria ignora-lo, mostrar que havia esquecido, que tinha superado a dor . E agora, como olharia para ele depois de se entregar facilmente a luxuria? Depois de , como uma tola, ter sucumbido ao seu charme?

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