Viajando na ficção com Lilly Maxwell: Entre O Amor e a Razão, Capitulo 4

Black couple having an argument

“O passado ficou para trás, aprenda com ele. O futuro está na sua frente, se prepare para ele. O presente está aqui, viva-o.

“THOMAS S. MONSON

Miguel nem conseguia acreditar que estava de volta a terra que o viu nascer. Pisar aquele lugar trazia consigo lembranças boas e amargas. Parecia que o dia de seu casamento havia acontecido em outra encarnação. Nos primeiros anos ele perguntou-se o que teria acontecido a rapariga que estava destinada a ser sua esposa.Mas, depois que conheceu Andreia e, apaixonou-se perdidamente por ela, Miguel esqueceu- se completamente do seu passado. Andreia era seu presente e seu futuro, a mulher que sempre sonhou, aquela que combinava com o estilo de vida que queria para si, sofisticada, educada e linda.

E apesar de amar Andreia não teve coragem de contar-lhe sobre o casamento. Para ele isso pertencia ao passado e esse estava enterrado.

Mas não contava que o destino o obrigasse a voltar àquele lugar. A morte de seu pai, foi a forma com que o passado decidiu bater-lhe a porta e ali estava ele de volta as suas raízes.

Comercial@feelcom.co.mz : 00258 21 401 421

Miguel havia chegado a Vila naquela manhã e ainda lhe custava encarar sua mãe, pois via como o olhar dela o acusava. Ele os tinha abandonado, e por isso, não soube a tempo do estado de saúde do seu pai. Não teve nem oportunidade de se despedir e , quem sabe, pedir perdão. Passados tantos anos, a mágoa já se tinha dissipado, mas o orgulho não o deixou olhar para atrás.

Ele escolheu o caminho dos covardes e decidiu afastar-se para o seu esconderijo secreto. O lago continuava de uma beleza de cortar o fôlego. Miguel inspirou longamente e soltou o ar depois, como se substituísse o ar poluído da cidade pelo ar puro do vale.

Agachou-se e apanhou meia dúzia de pedras e começou a lançar, uma a uma, para o lago. Ele afastou-se para ganhar coragem de olhar sua mãe e para pensar um pouco no que faria depois do enterro do seu pai. Não podia continuar a viver como se sua família não existisse. Mas não imaginou, nem nos seus sonhos mais loucos e selvagens, acabar com uma mulher misteriosa e linda em seus braços. O beijo roubado tinha um sabor que lhe lembrava os melhores anos de sua vida, a adolescência inconsequente, as aventuras e paixões desenfreadas. E essa sensação o pegou de surpresa, desarmando-o completamente.

Mas logo foi arrancado do sonho, a mulher desapareceu do mesmo jeito que se materializou a sua frente. Ele ficou ali, com seus pés cravados na terra, seu cérebro em curto circuito ainda a processar o que acabava de acontecer.

Seu celular toca, insistentemente, e ele balança a cabeça sacudindo os pensamentos impróprios que pairam em sua mente. Ele atende a chamada sem olhar, quando a voz de Andreia o devolve a realidade.

– Oi amor, estou a ligar-te há tempos e não atendes. Estava a ficar preocupada. Chegaste?

– Me desculpe. Cheguei sim.

– E como estão as coisas por ai? Está tudo bem contigo?- Ela questiona toda atenciosa.

E Miguel sentiu-se o mais vil dos homens, sabendo que há instantes havia beijado uma desconhecida , por não controlar seus impulsos.

– Estou bem, não te preocupes. Olha, ligo-te mais logo. Preciso tratar de alguns assuntos da cerimónia.- Ele mente, para safar-se da conversa constrangedora.

– Entendo. Amo-te.- Ela fala em seguida.

– Também te amo- Miguel responde terminando a chamada.

Decide voltar para casa de seus pais. O objectivo do afastamento não havia sido alcançado, mas continuar naquele lugar só o levava a pensar naquela mulher. O ambiente estava tão tenso que ele acabou passando a noite em casa de uma das suas irmãs que, por coincidência, havia se casado com um dos seus amigos de infância, o David.

A cerimónia iniciou cedo. Primeiro o velório na casa dos pais de Miguel e se seguiria o cortejo fúnebre até ao cemitério local. Miguel preparou-se como pôde para dar o último adeus ao seu pai, segurou as lágrimas quando o viu deitado, pálido e sem vida, dentro do caixão. O peso da culpa, por ter colocado seu orgulho a frente da família, voltou em força total . Ele ainda lembrava-se do olhar de reprovação de seu pai quando saiu a meio da cerimónia de casamento. E agora não poderia mais dizer o quanto lamentava, o quanto sofreu com a distancia, a falta que sentia dos seus conselhos e sermões. Ele partiu e Miguel não pôde nem dizer adeus, por culpa de um orgulho idiota.

Afastou-se do caixão e decidiu ficar num canto, escondido, onde poderia chorar sem ser visto. Mas ele viu David aproximar-se e percebeu que não estava tão escondido como pretendia. Seu amigo abraçou-o, confortando-o e Miguel chorou inconsolável por uns bons minutos. David não o largou até que ele se recompôs.

– O que achas de ficarmos lá fora por alguns instantes? O velório está no fim e assim te acalmas até o inicio do cortejo.- David sugeriu.

Miguel assentiu com a cabeça e os dois começaram a caminhar até a porta. Mas algo chama a atenção de Miguel. Um rosto , aquele olhar feroz e os lábios que povoaram seus sonhos toda noite passada. A mulher misteriosa, que também o olhava, estava ao lado da sua mãe, consolando-a. Ele nem percebeu que parou ali mais tempo do que pretendia e isso chamou a atenção de David.

– Miguel?- O amigo o chama e ele desvia o olhar da mulher misteriosa dando atenção a David que já estava na porta.

– Quem é ela?- Miguel questiona, sem perder tempo.

– Não sabes??- David tenta segurar seu riso, em respeito ao local onde estavam e puxa Miguel para afastarem-se mais da casa e poderem conversar mais a vontade.

– Não a conheço. E acho que devia , visto que a minha mãe se agarra a ela como se fossa uma bóia de salvação.. Será que sete anos é muito tempo para terem aparecido novos membros na família?- Miguel pergunta, confuso.

David não resistiu e soltou um riso, mas com cuidado para que não fosse ouvido na casa.

– Mereço isso. Eu sei que não devia ter me afastado tanto tempo. Resultado disso é ver minha mãe apegada a desconhecidos mais que aos seus próprios filhos. Não devia ser uma das minhas irmãs do lado dela?- Miguel desabafa.

– Aquela desconhecida, como tu a chamas, é Ana. A tua esposa.

E as palavras de David atingem Miguel como uma bomba. Ele congela no lugar e fragmentos do encontro no lago invadem sua mente, o beijo avassalador, e a pele nua e suave dela sobre suas mãos. Qual era a probabilidade de, logo ela , despertar nele sensações esmagadoras , desejos proibidos e ainda deixa-lo com vontade de mais.

Próximo capítulo brevemente

Publicado por  Lilly Maxwell

Facebook : Lilly Maxwell
Instagram: @lilly_maxwell_romancista
Website: www.lillymaxwellromancista.co.mz

leave a reply