Moçambique: O CIP estima custos da guerra em Cabo Delgado aos 64 mil milhões de meticais

Um estudo do Centro de Integridade Pública (CIP), organização não-governamental moçambicana, estima que o custo da guerra contra o terrorismo em Cabo Delgado, entre 2017 e 2020, ascenda aos 64 mil milhões de meticais (859 milhões de euros).

“O CIP estimou, a partir de dados disponíveis na Conta Geral do Estado, que a guerra de Cabo Delgado custou pelo menos 64 mil milhões de meticais”, disse Leila Faustino, pesquisadora do CIP, durante um seminário virtual realizado hoje sobre “Transparência e Prestação de Contas dos Gastos Militares com o Conflito de Cabo Delgado”.

Segundo a organização não-governamental (ONG), do valor, cerca de 19 mil milhões de meticais (255 milhões de euros) foram aplicados no sector da Defesa, 35 mil milhões de meticais (470 milhões de euros) no sector da Segurança e Ordem Públicas e quase 10 mil milhões de meticais (134 milhões de euros) na contratação de empresas militares privadas.

“Em 2017, ano de início do conflito, o orçamento executado no sector da Defesa foi de 8 mil milhões de meticais (107 milhões de euros), com o peso de 3,4% na despesa total do Estado nesse ano. Quatro anos depois, em 2020, o orçamento executado para o sector de Defesa foi de 21 mil milhões de meticais (282 milhões de euros), com peso de 6,0% na despesa total do Estado desse ano”, refere o estudo.

Para a determinação do montante, o Centro de Integridade Pública recorreu aos gastos reportados na Conta Geral do Estado para os sectores da Defesa e Segurança, além de “fontes alternativas abertas” para estimar as despesas que não estão inscritas no Orçamento do Estado.

A ONG criticou a falta de prestação de contas sobre os gastos militares em geral e os decorrentes do conflito armado no norte de Moçambique, considerando que o “excesso de secretismo” do sector da Defesa pode favorecer a criação de esquemas de corrupção.

“Por sua vez, a corrupção pode contribuir para o prolongamento do conflito e enfraquecimento da resposta do Governo face à insurgência”, referiu Leila Faustino, durante o `webinar`.

Grupos armados aterrorizam a província de Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Na sequência dos ataques, há mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, segundo as autoridades moçambicanas.

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